Notícias

  • Crise dificulta eleições internas do PT

    Curitiba - O debate feito entre os candidatos a presidente nacional do PT, domingo, em Curitiba, tornou evidente o efeito da crise no governo federal sobre as decisões internas da legenda. Maioria dos filiados aproveitou a oportunidade do evento para criticar o Campo Majoritário, o que acabou por pressionar o então candidato a presidência, Tarso Genro, a abrir mão da disputa. Com a participação de todos os dirigentes, o debate se resumiu a críticas ao campo majoritário, que \"não conseguiu se entender durante o encontro\", comentou o deputado Tadeu Veneri. Segundo o parlamentar, o que serviria para esclarecer posições a respeito das eleições acabou por gerar maior confusão interna. Um dos desentendimentos foi causado pela tentativa do ministro do Planejamento, o paranaense Paulo Bernardo, de substituir Tarso Genro na Mesa. \"Não tem como delegar a representação\", defende Veneri a participação do candidato não apenas para o debate em torno das eleições como também \"na defesa do partido\". O campo majoritário encaminhou nota esclarecendo que o ministro foi indicado por Genro \"para expressar o pensamento do Campo, que hoje detém a maioria na direção partidária\". Sem acordo, Paulo Bernardo se retirou do debate para evitar maior tensão, levando com ele vários dirigentes. Veneri lamentou que o \"debate interno tenha sido reduzido\", o que, segundo ele, faz com que o partido abra mão da sua reconstrução, abalado pela onda de denúncias de corrupção. Relembrando erros, o parlamentar comentou as alianças que o PT fez para a disputa eleitoral de 2002, o que provocou seu afastamento de setores tradicionalmente ligados a ele, como a agricultura e movimentos sociais. Pouco mais positivo, o presidente estadual da legenda, deputado André Vargas -que deixou o recinto para acompanhar o ministro - lamentou a avalanche de críticas ao campo majoritário e reconheceu a ausência de \"clima\" de unidade entre os candidatos e demais filiados. Ainda assim, considera que o desentendimento também pode favorecer o nível da disputa. Entretanto, criticou a postura dos filiados que levam ao público os problemas internos da sigla ao comentar que o assunto deve ser tratado na \"lógica interna\". Debandada Enquanto o PT faz \"malabarismo\" para manter seus fiéis, cresce em outras legendas o número de interessados em filiação. O PMDB paranaense, por exemplo, tem acolhido militantes de diversas legendas, inclusive do PSDB e PFL. A sigla possui na Assembléia Legislativa a maior bancada, sendo que a mesma conta como certa mais duas novas filiações. A adesão de um petista muito próximo ao Palácio Iguaçu pode ser oficializada até o final do próximo mês. Os tucanos também não têm do que reclamar. Uma revoada de membros do PSB, partido do vice-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, está prevista para as próximas semanas. Ontem, quem assinou a ficha de filiação tucana, com toda pompa e circunstância, foi o vereador curitibano Mário Celso Cunha, ex-PSB.